Boas práticas

Considerando-se a complexidade da vacinação, é de suma importância que os serviços de imunização trabalhem com base em conhecimentos e condutas que garantam a qualidade e a segurança de todo o processo.  Essas ações, chamadas de Boas Práticas, são divididas em algumas etapas. Clique sobre os tópicos abaixo para acessá-las e para conhecer os principais erros na vacinação contra a Covid-19 e como evitá-los.

Armazenamento, conservação e manuseio de vacinas Covid-19

  • É responsabilidade da equipe de enfermagem da sala de vacinação, fabricantes e distribuidores garantir a qualidade do imunobiológico e manter a cadeia de frio.
  • O armazenamento e o manuseio incorretos podem reduzir a eficácia da vacina, resultando em respostas imunológicas inadequadas e proteção insuficiente contra a doença.
  • O controle rigoroso da temperatura deve ser mantido durante todo percurso: da saída do fabricante até o momento da aplicação. As vacinas não deverão ser usadas se forem expostas a temperaturas fora do recomendado — nesses casos, a Coordenação Estadual de Imunização e/ou o fabricante devem ser imediatamente notificados. Se houver suspeita de quebra da cadeia de frio, as vacinas devem permanecer sob a temperatura preconizada até que tenhamos dados quanto à possibilidade de se utilizá-las ou descartá-las.
  • As vacinas precisam estar acondicionadas em equipamentos que garantam a manutenção da temperatura adequada durante toda atividade de vacinação. Se a vacinação ocorrer fora da sala de vacinação, como em residências e drive thrus podem ser utilizadas caixas térmicas exclusivas para as vacinas. As temperaturas devem ser monitoradas rigorosamente, com termômetros próprios, e registradas no mapa de temperatura. Nunca armazene e transporte vacinas sem termômetro.
  • A quebra na cadeia de frio pode exigir a aplicação de doses extras, o que aumenta os custos para os serviços de saúde e compromete a confiança da população nas vacinas.
  • Mais importante: os indivíduos que recebem vacina com eficácia reduzida e recusam a revacinação por falta de confiança permanecem suscetíveis à COVID-19. As práticas adequadas de armazenamento e manuseio são essenciais para a proteção de indivíduos e comunidades.
  • Toda a equipe (profissionais de saúde, motoristas e equipe de apoio) que realizará o monitoramento, o transporte e o manuseio das vacinas deverá ser treinada e orientada sobre todos os cuidados para mantê-las em condições adequadas de conservação.
  • As caixas térmicas nunca devem ser expostas ao sol.

As condições de temperatura necessárias para a conservação das vacinas podem variar de acordo com o produto. Clique para saber mais.

A pandemia de COVID-19 ressalta a importância da implementação de práticas de prevenção de infecções, incluindo distanciamento físico, higiene respiratória e das mãos, descontaminação de superfície e controle de fonte (no caso de unidades de saúde).

Os profissionais devem ter acesso aos Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) antes de administrar as vacinas. O uso correto aumenta a segurança de todos no ambiente, inclusive das pessoas que serão vacinadas;

EPIs obrigatórios durante a rotina de vacinação

  • Máscara cirúrgica: obrigatória para os profissionais de saúde durante todo o período de vacinação. A troca deve ser feita sempre que estiver suja ou úmida.

EPI recomendados pelo Ministério da saúde para a vacinação contra a COVID-19

  • Proteção ocular: Proteção facial (faceshield) ou óculos de proteção;
  • Avental descartável para uso diário ou avental de tecido higienizado diariamente.
  • Pacientes e outras pessoas que acessarem o local de vacinação devem usar máscaras descartáveis ou de tecido durante todo o período de permanência.

EPI com possibilidade de uso eventual (somente para situações específicas)

Luvas: Não estão indicadas na rotina. Recomenda-se para vacinadores com lesões abertas nas mãos ou nas raras situações em que pode haver contato com fluidos corporais do paciente. Os profissionais devem retirar as luvas, higienizar as mãos e colocar um novo par a cada atendimento.

As luvas não evitam ferimentos com agulhas. Qualquer ferimento por picada de agulha deve ser relatado imediatamente ao supervisor do local, com os devidos cuidados e acompanhamento de acordo com as diretrizes estaduais e locais. 

Acolhimento

O acolhimento é um momento importante para que a pessoa a ser vacinada se sinta segura, por isso deve envolver gentileza. Olhar nos olhos, chamar pelo nome e responder as dúvidas com clareza são atitudes essenciais para o processo de adesão à vacinação. O profissional deve oferecer o máximo de informações possível sobre o benefício das vacinas e o risco das doenças imunopreveníveis. Além disso, manter o ambiente físico limpo, higienizado, organizado e confortável é essencial. para o bem-estar e a satisfação do indivíduo.

O profissional deve analisar o histórico de saúde do paciente e possíveis contraindicações/precauções, bem como confirmar o seu nome para evitar a aplicação em pessoa errada. O procedimento deve ser feito mesmo em pessoas que já receberam a primeira dose, uma vez que as condições podem ter mudado.

Avaliar a condição atual de saúde e questionar se o(a) paciente:

  • Teve febre nas últimas 24 horas;
  • Teve Covid-19. Se sim, há mais de 30 dias?
  • Usa medicamentos de rotina. Se sim, quais?
  • Tem histórico de evento adverso pós-vacinação com qualquer vacina
  • Está grávida ou amamentando.
    • Já recebeu dose anterior de vacina COVID-19. Se sim: verificar o laboratório e se o intervalo mínimo entre as doses está sendo respeitado ou se está sendo respeitado o intervalo para as doses de reforço.
    • Verificar se houve EAPV, independente da gravidade.

A triagem deve ser feita com o auxílio de uma ferramenta de triagem abrangente e padronizada. Confira um exemplo.

Intercambialidade

Os esquemas de vacinação devem ser completados com a mesma vacina. No caso de pessoas vacinadas de maneira inadvertida com duas vacinas diferentes, a orientação do Ministério da Saúde (MS) é informar no “e-SUS Notifica” como erro de imunização e acompanhar possíveis eventos adversos e episódios de falha vacinal. Isso é importante porque ainda não há dados bem estabelecidos sobre a segurança e/ou eficácia em situação de intercambialidade.

O MS também determina que “estes indivíduos não poderão ser considerados devidamente imunizados”, mas que, no momento atual, “não é recomendada a administração de doses adicionais de vacinas Covid-19.”

O MS poderá atualizar essa e outras recomendações por meio de “Informes Técnicos” que têm sido divulgados periodicamente. Fique atento.

Após realizar a triagem, o profissional deve tomar todos os cuidados no preparo e administração para garantir que seja administrada a vacina correta e de forma adequada.

Ao selecionar a vacina a ser administrada, o profissional deve checar, em ao menos três momento distintos, o nome, a composição, a estabilidade e o prazo de validade. A vacina deve ser preparada de acordo com a sua administração. Clique para saber mais.

Algumas vacinas Covid-19 disponíveis no Brasil têm apresentação multidose, portanto essencial atenção para os pontos a seguir:

Vacinas Multidoses

  • Quando o frasco ainda estiver fechado, deverá ser identificado com data e hora da abertura. Se já estiver aberto, verificar a data e hora de abertura e só aspirar a dose desejada se o prazo não estiver vencido. Clique para saber mais.
  • Aspirar o volume da dose de acordo com a vacina e a faixa etária, cuidando para que o êmbolo seja posicionado corretamente na marcação da seringa. No momento da aspiração, o ar deve ser desprezado da seringa ainda com a agulha dentro do frasco. A agulha só deve ser desconectada após a certificação de que não há bolhas de ar na seringa e que a dose aspirada está correta.
  • As vacinas multidoses devem ser preparadas a cada paciente, não podendo ser preparadas previamente (seringas previamente preenchidas).
  • Uma agulha e uma seringa devem ser utilizadas para aspirar cada dose. Não é permitido manter a agulha conectada no frasco para a aspiração das próximas doses.
  • Após aspiração de uma dose, o frasco com as doses restantes deve ser devolvido imediatamente para o equipamento que mantém a temperatura adequada.

Cuidados a serem observados pelo vacinador:

  • Paciente certo: confirmar o nome do paciente para evitar a aplicação em pessoa errada;
  • Vacina certa: conferir, ao menos em três momentos distintos do processo de vacinação, qual vacina deve ser preparada para administração;
  • Momento certo: analisar cuidadosamente os históricos de saúde e vacinal — caso o paciente esteja com a carteira de vacinação — para ter certeza de que é o momento correto para administrar a vacina.
  • Dose certa: administrar a dose correta. O cuidado deve ser redobrado quando a apresentação da vacina for multidose.

Preparo e administração certos: preparar a vacina de acordo com sua apresentação. Utilizar a agulha e a seringa corretas e escolher a melhor área para a aplicação da vacina. A via obrigatória de administração das vacinas COVID-19 é a instramuscular, de preferência no deltoide, mas podem ser administradas também no vasto lateral da coxa e ventroglúteo. O importante é utilizar agulhas mais longas para garantir que a vacina seja administrada no músculo. Recomenda-se a técnica em Z, sem fazer a prega. O bisel da agulha deve seguir o sentindo das fibras musculares e não é recomendada a aspiração antes da administração da vacina. Ao final da administração, deve ser realizada uma compressão.

Redução da dor

Dentro de uma abordagem mais humanizada e buscando reduzir a dor durante a vacinação em pessoas maiores de 18 anos são indicadas várias estratégias, como bolsa de gelo, técnica em Z e até uma boa conversa (distração).

A utilização de uma técnica correta reduz a chance de dor pós-vacinação. Compressas frias também podem ajudar a minimizar o desconforto local.

Os resíduos gerados na sala de vacinação são classificados como resíduos infectantes, perfurocortantes e comuns. Cada resíduo deve ser descartado de acordo com a sua classificação:

  • Os infectantes são os EPIs e os algodões que tenham material biológico, como sangue;
  • Os perfurocortantes são as agulhas, seringas e frascos de vacinas, que devem ser descartados em coletores próprios;
  • Os resíduos comuns são as embalagens e bulas das vacinas, como as caixinhas.

A sala de vacina deve ter um Plano de Gerenciamento de Resíduo de Serviço de Saúde (PGRSS) descrevendo quais são os tipos de resíduos produzidos na sala, como são embalados, transportados, descartados e qual a destinação final. Toda sala de vacina deve ter contrato com uma empresa especializada para retirar, tratar e dar destinação final aos resíduos.

Sempre deve ser entregue um comprovante de vacinação que inclua o registro da vacina realizada com:

  • o nome da vacina;
  • o fabricante;
  • o lote;
  • a data da administração;
  • a data da próxima dose, quando aplicável;
  • a identificação do vacinador.

A pessoa vacinada pode apresentar eventos adversos, esperados diante do processo de construção de imunidade. Essas ocorrências podem afetar a capacidade de realizar as atividades diárias, mas costumam desaparecer em poucos dias. Os mais comuns são:

  • Locais: dor, vermelhidão e inchaço no local da injeção.
  • Sistêmicos: fadiga, febre, calafrios, mialgia, diarreia, náusea e dor de cabeça.

O profissional de saúde sempre deve informar o paciente sobre a possibilidade desses eventos e as práticas para amenizar os sintomas:

  • Redução da dor e desconforto no local da injeção:
    • Aplicar uma toalha limpa, fresca e úmida sobre a área onde foi administrada a vacina.
  • Redução do desconforto da febre:
    • Ingerir líquidos.
    • Vestir-se com roupas leves
    • Utilizar o antitérmico de costume, com orientação médica.

A ocorrência significativa de notificações de eventos adversos pós-vacinação (EAPV) é esperada durante a introdução de novas vacinas — em especial no contexto da atual pandemia, em que a produção de vacinas foi acelerada, algumas se valendo de novas tecnologias, e um número massivo de pessoas vem sendo vacinado.

Para o manejo apropriado dos EAPV de uma nova vacina, o sistema de vigilância é essencial. É ele que permitirá analisar a segurança do produto e responder prontamente às preocupações da população relacionadas às vacinas.

Considerando a necessidade de se estabelecer o perfil de segurança das vacinas COVID-19, orienta-se que TODOS os eventos (não graves e graves), erros de imunização, problemas com a rede de frio e queixas técnicas sejam notificados.

O formulário do e-SUS Notifica deverá ser preenchido com o maior número de informações possíveis. Principalmente a identificação do tipo de vacina suspeita de provocar o EAPV, como número de lote e fabricante.

Segundo o Manual de Vigilância de Eventos Adversos Pós-Imunização, um erro de imunização é qualquer evento evitável que pode levar ao uso inapropriado de vacinas ou acarretar dano ao paciente.

Para evitar erros durante a vacinação, o profissional de saúde deve:

  • Ter conhecimentos sobre as especificidades de cada vacina e dos calendários vacinais;
  • Realizar todos os procedimentos que assegurem a cadeia de frio durante todo o processo de vacinação, até o momento da aplicação;
  • Conferir o nome da pessoa que será vacinada e a vacina que deve ser administrada;
  • Ter habilidade para avaliar o local utilizado para vacinação de acordo com a idade e via de administração;
  • Dispor de insumos adequados para a vacinação, considerando o local de aplicação, via de administração e especificidade da vacina;
  • Checar pelo menos 3 vezes a vacina a ser administrada;
  • Lavar as mãos antes de iniciar o preparo da vacina e assegurar que todas as técnicas assépticas serão utilizadas no preparo;
  • Preparar a vacina conforme orientação técnica, dando atenção especial ao volume da dose a ser administrada;
  • Verificar a via correta de administração e o local de injeção, escolhendo a agulha adequada para tal;
  • Se houver vários pacientes, vacinar um de cada vez, identificando cada paciente individualmente antes da vacinação;
  • Descartar os frascos de vacina, seringas e agulhas em coletores de perfurocortante. Estes devem ser utilizados até o limite demarcado no coletor (3/4 da capacidade máxima). EPIs e algodão com sangue são considerados resíduos infectantes, portanto devem ser descartados em saco branco leitoso devidamente identificado. Já as caixas, embalagens de plástico e bulas das vacinas são consideradas resíduos comuns e devem ser descartadas em saco de lixo preto.

Durante a Campanha de Vacinação contra a Covid-19, houve muitos erros em imunização. Os mais comuns foram:

  • Agulha não conectada corretamente à seringa, o que levou a grande extravasamento da vacina;
  • Administração de dose errada (inferior ou superior a recomendada pelo laboratório fabricante);
  • Conservação da vacina em temperatura fora da especificada pelo laboratório fabricante;
  • Administração da vacina pela via subcutânea;
  • Administração da vacina em pessoas com idades inferiores às preconizadas pelo laboratório fabricante;
  • Administração da segunda dose com intervalo menor ao mínimo recomendado pelo laboratório fabricante;

VacinAção pela Vida - Covid-19. Assista aos vídeos.