A Covid-19

Os Coronavírus (CoV) são uma grande família de vírus que podem levar a quadros clínicos bastante variados: de resfriados comuns a doenças mais graves, a exemplos da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS), a síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-1) e, mais recentemente, a Covid-19, causada pelo SARS-CoV-2.

Esses vírus são zoonóticos, ou seja, podem ser transmitidos de animais para pessoas. Acredita-se que o SARS-CoV-2 tenha origem em algum coronavírus que circula em morcegos, como o RaTG13, que provavelmente houve um hospedeiro intermediário antes da chegada aos humanos.

Assim como outros vírus, o SARS-CoV-2 pode sofrer mutações ao longo do tempo, em especial quando a circulação na população é alta. As mudanças vêm sendo acompanhadas de perto por laboratórios de saúde pública que fazem o sequenciamento genético das amostras para detectar as variantes em circulação.

São chamadas de variantes de preocupação ou atenção (VOC, na sigla em inglês) aquelas que conferem características antigênicas distintas das cepas originais e que favorecem o vírus. Podem ter, por exemplo, maior transmissibilidade e potencial para “escapar” dos anticorpos produzidos pelas vacinas ou por infecção prévia por outras cepas. Nesse momento, circulam no Brasil as variantes de atenção alfa, gama, delta e ômicron.

  • Início de dezembro de 2019 – Primeiros casos de pneumonia por agente desconhecido, em Wuhan, na China.
  • 31/12/2019 – Cluster (grupo) de casos é oficialmente notificado à Organização Mundial da Saúde (OMS).
  • 07/01/2020 – O código genético do vírus é decifrado.
  • 12/01/2020 – China compartilha sequenciamento genético com a comunidade internacional
  • 30/01/2020 – OMS declara emergência de saúde global. Foi a sexta vez que o mecanismo, criado após o surto de SARS em 2002-2003, foi acionado – H1N1(2009), poliomielite (2014), zika (2016), ebola (2014 e 2019).
  • 03/02/2020 – Ministério da Saúde institui no Brasil Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional pela Covid-19.
  • 11/02/2020 – A doença é chamada de Covid-19; e o vírus é nomeado SARS-CoV-2.
  • 26/02/2020 – Primeiro caso é confirmado no Brasil, em um homem de 61 anos em retorno de viagem à Itália.
  • 07/03/2020 – Casos chegam a 100 mil.
  • 11/03/2020 – OMS declara pandemia
  • 08/12/2020 – Primeira vacina contra a Covid-19 é aplicada, no Reino Unido.
  • 17/01/2021 – Brasil inicia a vacinação contra a Covid-19. Pessoas com quadros que aumentam possibilidade de Covid-19 grave e profissionais da saúde são os primeiros contemplados.
  • 28/05/2021 – Ministério da Saúde anuncia que população entre 18 anos e 59 anos começará a ser vacinada.
  • 11/06/2021 – Anvisa autoriza a vacinação de adolescentes a partir de 12 anos com a vacina da Pfizer.
  • 16/12/2021 – Anvisa aprova vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos.
  • 22/04/2022 – Ministério da Saúde publica portaria que determina o fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional pela Covid-19 no Brasil. A medida entra em vigor em 22 de maio.

As principais vias de transmissão são semelhantes às de diversas infecções respiratórias: por meio de gotículas expelidas durante a fala, tosse ou espirro, principalmente, ou pelo contato indireto com gotículas, ao levar as mãos aos olhos, boca e nariz após tocar em pessoas, superfícies ou objetos infectados.

As gotículas respiratórias são relativamente pesadas, não atingem longas distâncias e rapidamente caem no chão. A transmissão por meio de aerossóis − partículas ainda menores e mais leves que as gotículas − também é possível em circunstâncias especiais.

O período de incubação da Covid-19, ou seja, o tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas, varia de um a 14 dias — média de cinco a seis dias. Pessoas infectadas que não apresentam sintomas podem transmitir o vírus.

Para reduzir o risco de disseminação, as pessoas com Covid-19 devem se manter isoladas de 10 a 14 dias (ou mais, de acordo com critério médico), de preferência em casa, desde os primeiros sintomas. Se for possível, a pessoa deve fazer uso de quarto e banheiro exclusivos, bem ventilados (janelas abertas) e com portas fechadas. O uso de máscara, preferencialmente do tipo PFF2 (ou N95), é essencial sempre que houver contato com outras pessoas, mesmo em ambientes abertos e arejados.

As pessoas podem ter Covid-19 mais de uma vez. Ainda não se sabe exatamente quanto tempo dura a imunidade após a infecção natural, mas as evidências até o momento sugerem que a reinfecção é rara nos 90 dias após a primeira ocorrência.

Os sintomas mais comuns da Covid-19 são:

  • Febre
  • Tosse
  • Dor de cabeça
  • Fadiga
  • Dores musculares ou corporais
  • Perda de paladar (ageusia) ou olfato (anosmia/hiposmia)
  • Dor de garganta
  • Náusea
  • Diarreia

Sinais de alarme (demandam consulta médica imediata):

  • Dificuldade para respirar
  • Dor ou pressão no peito
  • Dificuldade para permanecer acordado

Segundo a OMS, cerca de 80% das pessoas com Covid-19 se recuperam sem necessidade de tratamento hospitalar; 15% desenvolvem doença grave, que exige suporte de oxigênio; e 5% ficam em estado crítico. Nos quadros graves, além do prejuízo ao sistema respiratório, pode haver:

  • Complicações sistêmicas (como trombose), cardíacas e renais.
  • Sepse (infecção generalizada) e choque séptico.

Síndrome Pós-Covid

Boa parte dos recuperados permanece com algum sintoma por até quatro meses depois do fim da infecção, o que é chamado de Síndrome Pós-Covid. Casos graves que exigiram internação e UTI tendem a deixar mais sequelas, mas até mesmo episódios leves podem deixar repercussões prolongadas no organismo. Entre as manifestações observadas estão: fadiga, falta de ar, dor de cabeça, dores musculares, queda de cabelo, perda de paladar e olfato (temporária ou duradoura), dor no peito, tontura, tromboses, palpitações, depressão, ansiedade e dificuldades de linguagem, raciocínio e memória.

Síndrome Inflamatória Multissistêmica (SIM)

Complicação da COVID-19 que envolve a inflamação de mais de um órgão e sistema. Mais frequente em crianças em idade escolar e adolescentes, pode ocorrer de alguns dias a algumas semanas após a infecção aguda pelo SARS-CoV-2.  Além da elevação dos marcadores inflamatórios, as principais manifestações incluem:

  1. Cardiovasculares: disfunção miocárdica, miocardite, pericardite, aneurismas coronarianos, hipotensão arterial e choque cardiogênico.
  2. Renais: doença renal aguda levando a necessidade de diálise.
  3. Respiratórias: dispneia, taquipneia e hipoxemia.
  4. Hematológicas: trombose (localizada ou sistêmica), anemia, leucopenia, linfopenia, plaquetopenia e coagulopatia de consumo.
  5. Gastrointestinais: dor abdominal intensa, vômito e diarreia.
  6. Mucocutâneas: edema e fissura de lábios, língua em framboesa, eritema de orofaringe, conjuntivite, exantema polimórfico, vesículas e eritema pérnio.
  7. Neurológicas: cefaleia persistente, convulsão e psicose.
  8. Febre persistente.
  9. Insuficiência respiratória aguda e síndrome da disfunção de múltiplos órgãos. Em adultos, está associada à síndrome da tempestade de citocinas.
  • Diagnóstico clínico (com base nos sintomas): mesmo com exame de RT-PCR negativo, a possibilidade de Covid-19, deve ser fortemente considerada na presença de dois ou mais sintomas da doença — em especial a perda de paladar (ageusia), perda de olfato (anosmia) e sintomas gastrointestinais — caso não exista confirmação de outros quadros passíveis de causar sintomas semelhantes.
  • Diagnóstico clínico-epidemiológico: presença de dois ou mais sintomas associados a histórico de contato próximo ou domiciliar com caso de Covid-19 confirmado nos 14 dias anteriores ao início dos sintomas.
  • Diagnóstico clínico + imagem: dois ou mais sintomas de Covid-19 associados a alterações em exames de imagem, como radiografia e/ou tomografia do pulmão.
  • Diagnóstico laboratorial: recomendado para pessoas com sintomas de Covid-19 e pessoas que tiveram contato próximo (distância inferior a 2 metros por 15 minutos ou mais) com alguém com Covid-19 confirmada. Há diversos tipos:
    • Teste de biologia molecular (RT-PCR): detecta a presença do vírus no organismo. É o mais sensível e por isso considerado padrão ouro. Considerações:
      1. Quando realizado em sintomáticos entre o primeiro e o sétimo dia de início dos sintomas:
        1. Se positivo, confirma a Covid-19.
        2. Se negativo (uma única amostra), não descarta o diagnóstico da doença. Uma segunda amostra pode ser solicitada, com pelo menos 24 horas de intervalo.
      2. Em indivíduos assintomáticos, um RT-PCR negativo não descarta a infecção pelo SARS-CoV2. No entanto, não há recomendação de quarentena para essas pessoas.
    • Sorologia: detecta a presença de anticorpos (IgG e IgM), que indicam que a pessoa tem ou teve contato com o vírus. Por meio da sorologia não é possível determinar se há infecção ativa. Em pessoas com sintomas, como a produção de anticorpos não é imediata, recomenda-se que as amostras sejam coletadas a partir do oitavo dia (preferencialmente entre 14 e 21 dias) após o início do quadro.
    • Testes rápidos: há testes rápidos para avaliar a presença do vírus (feitos com swab de nasofaringe) ou de anticorpos (feitos a partir do sangue). A sensibilidade desses exames é inferior ao de RT-PCR, considerado padrão ouro. Resultados positivos são confiáveis, mas a chance de falso-negativo não é desprezível.
  • Até o momento, não há terapêutica antiviral específica e eficaz para a Covid-19, seja para a prevenção, tratamento precoce ou casos mais graves.
  • Em geral, nos quadros leves são utilizados medicamentos para aliviar os sintomas, como analgésicos e antitérmicos, e água ou fluidos intravenosos para hidratação. Recomenda-se repouso para ajudar o corpo a combater o vírus.
  • A automedicação é extremamente perigosa. Se você suspeitar que está com Covid-19, converse com o seu(sua) médico(a).
  • Para o manejo do paciente gravemente enfermo, hospitalizado, algumas intervenções têm se demonstrado seguras e efetivas, como a oxigenação suplementar, uso de anticoagulantes e corticoides, além de outras medidas de suporte.
  • Muitos estudos com novas drogas para o tratamento da Covid-19 estão em andamento, alguns com resultados promissores.

No Brasil, os principais fatores de risco para formas graves e óbito são:   

  • Idade superior a 60 anos
  • Diabetes mellitus
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras pneumopatias crônicas
  • Doença renal
  • Doenças cardiovasculares e cerebrovasculares
  • Hipertensão arterial grave
  • Indivíduos transplantados de órgãos sólidos
  • Anemia falciforme
  • Câncer
  • Obesidade mórbida (IMC≥40).

Outras comorbidades além das citadas acima podem aumentar a probabilidade de agravamento e morte.

Adultos mais velhos estão sob maior risco. As taxas de mortalidade específicas para pessoas com mais de 60 anos excedem as taxas de mortalidade registrada em pessoas abaixo dessa idade.

Covid-19 entre profissionais de saúde

Embora a proporção de profissionais de saúde na maioria dos países corresponda a menos de 3% da população em geral, a proporção de casos de Covid-19 nesse grupo é maior.  As ocorrências foram especialmente altas no primeiro ano da pandemia, quando esse grupo ainda não havia sido vacinado.

Covid-19 na população indígena

Relatório da Rede Eclesiástica Pan-Amazônica (REPAM) sobre o impacto da pandemia, que incluiu dados do Brasil e de outros países, informou que entre março e outubro de 2020 houve 1.377.609 casos e 34.054 mortes por Covid-19 na região, o que demonstrou que indígenas representavam 5,3% dos casos e 6,3% dos óbitos na ocasião.

De acordo com o Ministério da Saúde, os povos indígenas mais vulneráveis à Covid-19 são os que vivem em terras demarcadas. Os motivos são o modo de vida coletivo, que faz com que as doenças infecciosas atinjam rapidamente a maior parte da população em uma aldeia, e as dificuldades de implementação de medidas preventivas, como uso de máscaras e distanciamento. Além disso, a localização das aldeias complica o acesso aos postos de saúde. Em alguns casos, o deslocamento até um serviço de atenção especializada pode levar mais de um dia. Por isso optou-se por vacinar essa população prioritariamente.

Outros grupos com elevada vulnerabilidade social:

Também são considerados com maior risco pela vulnerabilidade social e econômica as populações ribeirinhas e quilombolas, pessoas em situação de rua, refugiados, pessoas com deficiências permanentes e a população privada de liberdade.

Vacinas

As vacinas Covid-19 em uso no Brasil demonstraram segurança e eficácia nos estudos clínicos e têm trazido ótimos resultados no “mundo real”. As mortes e hospitalizações por Covid-19 vêm caindo, com raríssimos registros de eventos adversos graves pós-vacinação.

É importante destacar que não há garantias de que as vacinas já utilizadas previnam a infecção e a transmissão ou se elas serão eficazes contra novas variantes do vírus que possam surgir em decorrência da ainda intensa circulação viral. Avaliações considerando os diferentes cenários epidemiológicos e os vírus circulantes estão sendo feitas no mundo todo. Por tudo isso, pessoas vacinadas devem manter as demais medidas preventivas contra a Covid-19 listadas a seguir.

Outras medidas

  • Usar máscaras que cubram o nariz e a boca. Não as manipular pela parte da frente — sempre colocar e retirar pela alça. Trocar a cada três horas ou quando ficar úmida. No caso de máscaras de tecido, lavá-las adequadamente após o uso. Máscaras descartáveis não devem ser reaproveitadas.
  • Manter distanciamento social de ao menos 1,5 m.
  • Higienizar frequentemente as mãos com água e sabão (por 20 segundos) ou álcool 70%.
  • Não tocar seus olhos, nariz e boca sem antes higienizar as mãos.
  • Evitar aglomerações.
  • Ao tossir ou espirrar, cobrir com um lenço de papel ou com a parte interna do cotovelo. Em seguida, lavar as mãos.
  • Manter os ambientes arejados e ventilados.
  • Pessoas com Covid-19 devem permanecer isoladas de 10 a 14 dias, ou mais, a critério médico.
  • Limpar e desinfetar superfícies tocadas com frequência, como mesas, maçanetas, interruptores, bancadas, puxadores, telefones, teclados, torneiras e pias. Caso estejam sujas, limpá-las com detergente ou sabão e água antes da desinfecção.
  • Usar luvas, reutilizáveis ou descartáveis, para a aplicação de produtos de limpeza e de desinfecção. Seguir as instruções do fabricante.

VacinAção pela Vida - Covid-19. Assista aos vídeos.