Palavra do Presidente

Poliomielite – fim do jogo

Imprimir

Renato KfouriNunca estivemos tão próximos da erradicação da poliomielite. Eliminamos a circulação do poliovírus selvagem tipo 2 do mundo e somente 3 países ainda apresentam a doença de forma endêmica: Afeganistão, Nigéria e Paquistão. Até abril de 2013 somente 24 novos casos foram reportados nesses países.

Após a criação do grupo chamado Iniciativa Global para Erradicação da Pólio (GEPI – sigla em inglês) em 1998, passamos de 350 mil novos casos ao ano em 125 países para pouco mais de 200 casos em 2012 em três países, graças a amplos programas de vacinação. A GEPI é coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundação Rotary Club, CDC e UNICEF, com o apoio da Fundação Bill & Melinda Gates (BMGF).

Aqui, mais uma vez, as vacinas mostram sua força e capacidade de promoção de saúde.

Recentemente a Fundação Carlos Slim se associa à GEPI com o intuito de aportar recursos da ordem de 100 milhões de dólares para que um planeta livre pólio seja alcançado em até 2018.

No Brasil, em 1986 nascia o “Zé Gotinha”, personagem símbolo da erradicação da poliomielite. Nosso último caso ocorreu em 1989 e em 29 de setembro de 1994 recebemos da Organização Panamericana da Saúde (OPAS), o Certificado Internacional de Erradicação da Transmissão Autóctone do Poliovírus Selvagem.

Obstáculos políticos e religiosos se colocam no caminho da erradicação da doença no planeta. Boatos de que as vacinas teriam o propósito de transmitir AIDS e esterilizar a população trazem enorme desconfiança e agravam o problema.

Além disso, a utilização de serviços médicos com finalidades militares, como no caso da captura de Bin Laden, onde enfermeiras que aplicavam a vacina hepatite B colhiam sangue atrás do DNA da família do terrorista, atrapalha e muito, a credibilidade e a eficiência dos programas. Agentes de saúde foram metralhados no Paquistão em 2012 e seis deles foram mortos. Este ano o fato se repetiu na Nigéria levando a mais nove vítimas fatais.

Precisamos não mais nos conformar com casos de crianças que ficam paralíticas. É tempo de repensar nossas estratégias, para que o terrorismo não continue fazendo vítimas inocentes, quer sejam crianças paralisadas, ou agentes de saúde mortos pela bruta e absurda ignorância.

Renato de Ávila Kfouri – Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)