Palavra do Presidente

Proatividade contra a desinformação

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Isabella BallalaiAs baixas coberturas vacinais contra o HPV, registradas pelo PNI, evidenciam o poder da desinformação. Enquanto a primeira fase da campanha de 2014 alcançou índice de 101,33%, a segunda, iniciada em setembro, registra até agora 59,47% de cobertura (vacinômetros D1 e D2, em 08/04/15). Na atual campanha, para meninas de 9 a 11 anos, apenas 24,58% foram vacinadas até o dia 10 de abril.

Dentre as causas desses resultados estão: os mitos sobre iatrogenia; a crença de que a vacina possa induzir à iniciação sexual ou ao sexo inseguro; e a pouca adesão de escolas privadas à campanha. O desinteresse pela vacina HPV é verificado também em clínicas de vacinação, pois elas registram até 30% de queda na procura.

É preciso, portanto, intensificar os esforços de educação e comunicação com profissionais da Saúde e pacientes. Assim, a SBIm, em 2014, divulgou nota assinada em conjunto com as sociedades brasileiras de Pediatria (SBP) e de Infectologia (SBI), com a Sociedade Latino-americana de Infectologia Pediátrica (Slipe) e a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), sobre a eficácia e segurança da vacina HPV; tem promovido, em parceria com sociedades médicas, cursos e a publicação de guias de vacinação; criou um grupo permanente de discussão de estratégias que viabilizem maiores coberturas vacinais, e tem atuado na mídia para desmentir inverdades e estimular matérias de conteúdo elucidativo.

Com o objetivo de ampliar a contribuição, a SBIm está elaborando uma campanha sobre a importância da vacinação, com ações diversas e a participação de formadores de opinião. Para arcar com os custos de um projeto dessa envergadura estamos empenhados na busca de apoio institucional.

Outra frente que requer atenção é a vacinação em farmácias. Se a medida traz a possibilidade de ampliar o número de salas de vacinação pelo país, também abre espaço para experiências negativas, caso tais estabelecimentos não cumpram todas as exigências da Portaria Anvisa/Funasa, para garantir a qualidade do imunobiológico e a segurança do vacinado. E experiências negativas, além do risco à saúde, servirão, é claro, de argumento antivacinação.

Mais uma vez se faz premente a necessidade de educar a população sobre qualidade e segurança, tanto em relação às vacinas quanto aos serviços de vacinação, mostrando que existem critérios e regras a serem seguidos. Esse deve ser um esforço de todos, incluindo médicos e enfermeiros em seus postos de trabalho.

Como educação é um processo amplo, a SBIm vem promovendo uma série de cursos presenciais e online e realizará em Curitiba (PR), de 30 de setembro a 3 de outubro, a XVII Jornada Nacional de Imunizações. Além de conferências, simpósios e cursos, haverá mais uma edição da Clínica-Modelo SBIm, espaço que também abriga cursos e workshops.

Contamos com sua participação nessas frentes que têm apenas um objetivo: a saúde e qualidade de vida da população brasileira.

Isabella Ballalai
Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)