Palavra do Presidente

A evolução dos desafios e enfrentamentos

Isabella BallalaiTransformação. Esta é, possivelmente, a palavra que melhor define o século XXI. Um mundo em constante mudança impõe profundos e variados desafios. No campo das imunizações, nos deparamos, dia a dia, com a necessidade de rever estratégias de enfrentamento das doenças infectocontagiosas, de reformular indicações e ressignificar conhecimentos em busca da melhor compreensão dos fatos.

Não é exagero pensarmos que para quase todas as conquistas obtidas em Saúde Pública, até hoje, graças à vacinação, há um novo e – muitas vezes – inesperado desafio. A título de ilustração, consideremos o estudo divulgado na publicação Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) sobre um vírus adormecido há 30 mil anos. O Pithovirus sibericum foi encontrado na Sibéria, a 30 metros de profundidade, ‘despertou’ em laboratório e voltou a se tornar contagioso. Por sorte, não infecta humanos ou animais, mas os cientistas da Universidade de Aix-Marseille, na França, alertam para o que pode ocorrer em relação a outros agentes infecciosos “despertados” pelo descongelamento das geleiras!

No Brasil, por exemplo, a luta contra a dengue por fim ganhou uma vacina. Mas zika e chikungunya, transmitidos pelo mesmo Aedes aegypti, acenam com a imposição de novos desafios, para muito além de um eficiente combate ao vetor. A mensagem é clara: precisamos entender melhor as implicações dos deslocamentos populacionais pelo mundo e intensificar o investimento em ações da medicina do viajante.

Entre 2015 e 2016, contrariando a rotina, o vírus influenza alongou sua estada no Hemisfério Norte e antecipou sua temporada no Hemisfério Sul. Nos EUA, os surtos de sarampo dão sinal de alerta e jogam mais luz sobre as consequências do movimento antivacinação. No Brasil, conquistamos o certificado de erradicação da rubéola, de eliminação do sarampo e, agora, nos vemos às voltas com surtos de caxumba, sobretudo em adolescentes e jovens, registrados no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, entre outras capitais. Em paralelo, vivemos o problema mundial de desabastecimento de vacinas, o que nos impõe a necessidade de repensar indicações, e à indústria farmacêutica a urgência de rever suas estratégias de produção.

Não são poucos os desafios e a informação está na base das estratégias de enfrentamento.

Um abraço,

Isabella Ballalai
Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)