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Palestra Magna da Jornada SBIm 2026 debate impacto dos programas de vacinação

Publicada em: 23/10/2026
Atualizada em: 23/10/2026

23/10/2026

A palestra magna da XXVIII Jornada Nacional de Imunizações dedicou-se ao impacto global e prático dos programas de vacinação.  Responsável pela aula, o infectologista Marco Aurélio Sáfadi destacou os dados de um artigo publicado em 2024 na revista Lancet, que concluiu que as vacinas preveniram 154 milhões de mortes nos anos anteriores, incluindo 146 milhões de óbitos em menores de 1 ano. O trabalho também apontou que 40% da redução da mortalidade infantil no período podia ser atribuída à vacinação. 

Sáfadi alertou os presentes para um equívoco comum entre leigos, e até entre alguns profissionais da saúde, que é pensar nas vacinas como ferramentas que impedem completamente a infecção por determinado vírus ou bactéria. Segundo o especialista, quando uma pessoa vacinada adoece, há uma falsa percepção de fracasso, que contribui para a hesitação vacinal. "O papel da vacina vai muito além de prevenir especificamente uma determinada infecção. Ela muitas vezes contribui para reduzir o impacto na saúde pública, sequelas e mortalidade", destacou.

Marco Aurélio Sáfadi, membro do grupo de trabalho sobre Vacinas e Vacinação contra Meningococo do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização da Organização Mundial da Saúde (SAGE/OMS)

Exemplo dessa situação é a vacina do rotavírus em países de baixa renda. Embora os estudos tenham demonstrado uma eficácia muito superior em regiões de alta renda, dados de mundo real indicam que a vacina gerou reduções expressivas nas taxas de hospitalização e mortalidade infantil, nos quais fatores como desnutrição e parasitoses são prevalentes. É o caso do Malawi. No país do sudeste africano, onde a vacina tinha alcançado 49% de eficácia, evitou 7 hospitalizações/100 mil habitantes, 75% a mais do que na África do Sul (4/100 mil habitantes), onde a eficácia da vacina foi de 80%

Imunização materna contra o VSR e a coqueluche

Sáfadi detalhou o impacto da vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR) e a coqueluche. No caso do VSR, com cobertura de cerca de 80% e quase 2 milhões de doses aplicadas, o Brasil registrou uma queda de 50% nas hospitalizações de bebês nos primeiros meses de vida. Já no caso da coqueluche, a imunização durante a gestação reduziu em até 90% o risco de internação em UTI e demonstrou uma efetividade de 80% na redução de formas graves em recém-nascidos.

Outros dados

  • A administração de nirsevimabe no primeiro ano de vida reduziu em 36% o risco de hospitalização por doença pneumocócica invasiva (DPI) nos seis meses após a vacinação;
  • A vacina HPV, disponibilizada para adolescentes no PNI em 2014, reduziu em 60% a incidência de câncer de colo de útero e em 67% a de lesões pré-cancerosas (NIC3) entre mulheres de 20 a 24 anos no Brasil;
  • A vacina BCG associou-se a menor mortalidade por todas as causas;
  • Vacina herpes-zóster pode estar relacionada à redução do risco de demência em idosos;

Apelo

O infectologista relembrou casos recentes de bebês internados por coqueluche, com quadros graves de hipertensão pulmonar, cujas mães não haviam sido vacinadas durante o pré-natal por falta de orientação. Em contrapartida, no Reino Unido, uma mãe que preferiu não vacinar o filho de forma consciente disse que não mudaria a decisão, mesmo após ele desenvolver sequelas graves de uma encefalite por sarampo aos 7 anos.

“Mais do que nunca, o profissional de saúde tem que estar preparado para orientar o paciente sobre o que esperar das vacinas. Transmitir credibilidade com informações precisas e ser transparente é fundamental para diminuir possíveis inseguranças e combater a hesitação”, concluiu. 

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