A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) classifica como um desserviço à saúde pública internacional a ordem executiva emitida pelo governo dos Estados Unidos em 10 de agosto de 2026, que reduz o número de imunizantes do calendário infantil do país de 18 para 11. A normativa também determina a substituição da tríplice viral pela administração de vacinas monovalentes contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, a serem administradas em visitas diferentes, e estimula o desenvolvimento de adjuvantes distintos do alumínio.
Embora a nova abordagem tenha sido nomeada como “Recomendações padrão-ouro para a vacinação infantil”, nenhuma das justificativas apresentadas têm embasamento científico. Diante da gravidade dos fatos, a SBIm pontua que:
- O argumento de que a redução alinharia a diretriz a de outros países que administram menos vacinas, com destaque para os europeus, não se sustenta, pois cada país tem realidades epidemiológicas distintas. Além disso, fatores como capacidade produtiva, logística e de investimento são avaliados na elaboração dos calendários nacionais.
- É falsa a alegação de que a vacina tríplice viral possa ser letal ou menos segura do que a administração separada das vacinas monovalentes sarampo, caxumba e rubéola. A vacina é utilizada há décadas em todo o mundo e têm sido fundamental para os esforços de combate às doenças. A troca é desnecessária e inexequível, visto que formulações isoladas das três vacinas não estão disponíveis comercialmente em grande escala. Além disso, a orientação para a administração em mais de uma visita prolongará o período em que as crianças estarão desprotegidas, aumentará as chances de abandono do esquema e o número de suscetíveis, trará mais desconforto devido à necessidade de mais aplicações e implicará custos com deslocamento ou perda de tempo de trabalho.
- A administração de vacinas combinadas ou de mais de uma vacina no mesmo dia não sobrecarrega o sistema imunológico ou acarreta qualquer dano à saúde. O número de antígenos com o qual o organismo entra em contato devido à vacinação é muito inferior à exposição que acontece naturalmente no dia a dia.
- As críticas à vacina tríplice viral são provenientes de um artigo do gastroenterologista britânico Andrew Wakefield, que alegava que 12 crianças haviam apresentado sinais de autismo e outros distúrbios de desenvolvimento após receberem a vacina. A conclusão foi desmentida por inúmeros estudos realizados posteriormente e o parecer favorável à segurança da vacina foi mantido por órgãos regulatórios do mundo todo. Um dos trabalhos mais amplos a examinar a questão analisou um universo de cerca de 650 mil crianças.
- Compostos de alumínio, utilizados como adjuvante em algumas vacinas inativadas, não estão associados ao aumento do risco de distúrbios do neurodesenvolvimento — incluindo o autismo —, doenças autoimunes crônicas ou quadros alérgicos e atópicos. Um dos estudos mais recentes a atestar a segurança da substância, divulgado recentemente, incluiu o histórico médico de mais de 1,2 milhão de crianças nascidas na Dinamarca entre 1997 e 2018. Vale destacar que a exposição humana ao alumínio é frequente, uma vez que o metal está presente no solo, em chás e ervas, temperos, utensílios de cozinha, latinhas de bebidas, creme dental, cosméticos e até mesmo na água tratada.
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